| Resumo: |
Os discursos políticos revestidos de ideologia tendem a priorizar interesses da classe
dominante. Para isto, contam com ferramentas potencializadas pelas tecnologias, facilitando
a disseminação destes discursos. No Brasil e no mundo a disseminação de
discurso ideológico tem se utilizado das chamadas fake News e da desinformação, o
que contribui para fragmentar o processo democrático. Os discursos são reflexo de
um viés ideológico e compõem os instrumentos para a manutenção e reprodução
de determinado arranjo social, mas também abrem espaço para que os excluídos
(e prejudicados socialmente) desse arranjo possam insurgir-se, enxergando possibilidade
de mudanças no cenário político e social. Nesta perspectiva, este estudo tem como
objetivo analisar em que medida é perceptível, nos discursos políticos, a prevalência de
uma ideologia dominante, e de que forma a dominação digital facilita a disseminação
destes discursos. Para esta análise, e utilizando como critério para a participação
democrática, partimos do conceito de ideologia defendida por Karl Marx e Friedrich
Engels, dos fundamentamos do processo de dominação digital nos estudos de Born,
do impacto da desinformação na democracia em Rasquel, e da análise apresentada por
Dahl sobre a importância da informação clara e precisa. Partindo das premissas destas
doutrinas, conclui-se que a ideologia, por vezes, não é compreendida por grande
parte da população, e assim, os elementos ideológicos nos discursos políticos passam
despercebidos, carecendo de uma análise, a partir do materialismo histórico-dialético,
que possibilitaria compreender como os mecanismos ideológicos limitam a percepção
sobre como funciona a sociedade.
|