| Resumo: |
A sub-representação feminina, presente em diversas esferas de poder da sociedade brasileira, agrava-se no legislativo
municipal. Para entender a persistência da ausência de mulheres no poder local, escolheu-se estudar o caso das candidatas à vereança
no município de Rio Grande da Serra, em São Paulo, a partir da hipótese de que, no contexto da pandemia da Covid-19,
as campanhas virtuais seriam estratégicas para aumentar a competitividade das candidaturas femininas no município. O artigo
apresenta os resultados do acompanhamento das campanhas virtuais, por meio dos perfis e páginas de Facebook e Instagram das
77 candidatas ao cargo de vereadora do município de Rio Grande da Serra, durante as eleições municipais de 2020. A pesquisa
contou com um monitoramento diário para agrupamento de informações e uma posterior análise em detrimento do resultado
da urna. Procura-se entender a influência das redes sociais para o sucesso das candidaturas femininas no legislativo municipal.
Como os resultados demonstram, as plataformas virtuais tendem mais a reproduzir desigualdades do que compensá-las. Apesar do
contexto da pandemia da COVID-19, a campanha presencial ainda se coloca como central no alcance de votos. Adicionalmente,
não é possível identificar candidaturas fraudulentas apenas pela campanha virtual. Percebe-se também que a pluralidade de fatores
nos entraves à entrada de mulheres na política não se limita à categoria gênero, relacionando-se também pela questão da raça/etnia.
Ao final do processo eleitoral, considerando a eleição de uma Câmara Municipal inteiramente masculina, pode-se afirmar que o
ambiente virtual teve baixo desempenho para a eleição de mulheres.
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