Mensagens de ódio recebidas por candidatas pretas e brancas durante as eleições no Brasil de 2022 e suas potenciais implicações
Parte da literatura existente sobre violência política de gênero para aprofundar as análises quanto às violências específicas experimentadas por mulheres na política pela internet sob a perspectiva racial. Este estudo analisa o conteúdo dos comentários de ódio endereçados a três candidatas negras e...
| Principais autores: | Souza, Ladyane, Koch, Luise, Riva, Maria Paula Russo, Ghawi, Raji |
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| Outros Autores: | Tribunal Superior Eleitoral |
| Tipo de documento: | Artigo |
| Idioma: | Português |
| Publicado em: |
2023
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| Assuntos: | |
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| Resumo: |
Parte da literatura existente sobre violência
política de gênero para aprofundar as análises quanto às violências
específicas experimentadas por mulheres na política pela internet sob
a perspectiva racial. Este estudo analisa o conteúdo dos comentários
de ódio endereçados a três candidatas negras e pardas (doravante
chamadas de "pretas") e a três candidatas brancas que disputavam
o cargo de deputada federal por partidos de esquerda durante o
período de campanha eleitoral de 2022 no Twitter. A comparação
entre as violências parte de uma perspectiva interseccional, trazendo
a relacionalidade entre gênero e raça para o centro deste artigo.
Baseada na metodologia dedutiva de métodos mistos, primeiro
foram extraídos tweets que "taguearam" as seis candidatas com a
subsequente mensuração do nível de toxicidade desses comentários via
ferramenta API do Google. Em seguida, uma amostra dos comentários
foi selecionada aleatoriamente para fins de, qualitativamente, se
verificar a robustez da categorização feita pela ferramenta de machine
learning. Os resultados mostram que mulheres pretas recebem mais
comentários de ódio tanto em quantidade quanto em qualidade (pois
combinam misoginia e racismo), o que sugere que a violência política
de gênero é uma barreira ainda mais robusta para que mulheres pretas
sejam eleitas. Tais conclusões apontam a necessidade de medidas de
enfrentamento à violência política de gênero que também abordem o
racismo. |
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