Resistir e sobreviver : estratégia e coordenação eleitoral na Federação Russa

Por que, em regimes classificados como autocráticos, onde frequentemente existem suspeitas de manipulação e viés no processo eleitoral, partidos que não estão alinhados com o regime ainda decidem competir? A questão é intrigante e forma a base do presente trabalho, que se concentra na análise dos da...

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Autor principal: Pestana, Matheus Cavalcanti
Outros Autores: Tribunal Superior Eleitoral
Tipo de documento: Artigo
Idioma: Português
Publicado em: 2024
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Resumo: Por que, em regimes classificados como autocráticos, onde frequentemente existem suspeitas de manipulação e viés no processo eleitoral, partidos que não estão alinhados com o regime ainda decidem competir? A questão é intrigante e forma a base do presente trabalho, que se concentra na análise dos dados eleitorais da Federação Russa. O foco é entender a dinâmica da oposição em um regime autocrático, especificamente o regime russo dominado pelo "partido do poder" Rússia Unida, que regularmente ganha eleições com margens significativas de vitória. A pesquisa procura desvendar o raciocínio subjacente que leva a oposição partidária a considerar válida a continuação da participação nos pleitos eleitorais, mesmo quando as chances de vitória parecem distantes ou até inexistentes no momento atual. Contrariando a hipótese de que possa existir um acordo implícito entre a oposição e o regime, uma espécie de "oposição consentida", os resultados preliminares apontam para uma verdadeira dedicação e estratégia dos partidos na competição eleitoral. Parece que eles não estão simplesmente cumprindo um papel; em vez disso, estão ativamente buscando ampliar seu apoio a longo prazo e de maneira localizada. A descoberta sugere que a situação é mais complexa do que pode parecer à primeira vista, e que a oposição em regimes autocráticos pode estar operando com uma lógica própria, orientada para o futuro e focada em ganhos incrementais. Esse entendimento pode ter implicações significativas para a nossa compreensão da natureza da política em regimes autocráticos e da resistência e resiliência da oposição sob condições aparentemente desfavoráveis.