| Resumo: |
Por que, em regimes classificados como autocráticos, onde frequentemente existem suspeitas de manipulação e viés
no processo eleitoral, partidos que não estão alinhados com o regime ainda decidem competir? A questão é intrigante
e forma a base do presente trabalho, que se concentra na análise dos dados eleitorais da Federação Russa. O foco é
entender a dinâmica da oposição em um regime autocrático, especificamente o regime russo dominado pelo "partido
do poder" Rússia Unida, que regularmente ganha eleições com margens significativas de vitória. A pesquisa procura
desvendar o raciocínio subjacente que leva a oposição partidária a considerar válida a continuação da participação
nos pleitos eleitorais, mesmo quando as chances de vitória parecem distantes ou até inexistentes no momento atual.
Contrariando a hipótese de que possa existir um acordo implícito entre a oposição e o regime, uma espécie de "oposição
consentida", os resultados preliminares apontam para uma verdadeira dedicação e estratégia dos partidos na
competição eleitoral. Parece que eles não estão simplesmente cumprindo um papel; em vez disso, estão ativamente
buscando ampliar seu apoio a longo prazo e de maneira localizada. A descoberta sugere que a situação é mais complexa
do que pode parecer à primeira vista, e que a oposição em regimes autocráticos pode estar operando com uma
lógica própria, orientada para o futuro e focada em ganhos incrementais. Esse entendimento pode ter implicações
significativas para a nossa compreensão da natureza da política em regimes autocráticos e da resistência e resiliência
da oposição sob condições aparentemente desfavoráveis.
|