| Resumo: |
Problematiza o sucesso obtido por Jair Bolsonaro em angariar uma adesão tão
resoluta do evangelicalismo brasileiro, partindo da premissa de que esse êxito não pode
ser explicado em termos de mera conveniência política ou alinhamento ideológico. Para
responder tal problema, adotou-se o método hipotético-dedutivo, que recorre ao conceito
antropológico de cosmovisão (Weltanschauung) a fim de estabelecer um paralelo entre
as doutrinas religiosas dominantes no evangelicalismo nacional e o conteúdo do discurso
apresentado por Bolsonaro e seus apoiadores. A hipótese defendida é a de que o sucesso
da campanha bolsonarista deveu-se ao fato de que ela instrumentalizou temas, signos
e mitos centrais na teologia neopentecostal, desvinculando-os de seu contexto original
para associá-los à pessoa e ao governo do candidato/presidente, construindo, assim, uma
mimese narrativa que apresentou Bolsonaro, implícita e explicitamente, como uma nova
figura messiânica que viria para libertar seu povo do cativeiro, bem como demandando
de seus simpatizantes não apenas um apoio político, mas uma adesão afetiva, quase
religiosa.
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