| Resumo: |
A medição dos principais conceitos utilizados no estudo da política tem um grande impacto
no nosso conhecimento sobre ela. Afeta a nossa forma de descrever o mundo (e,
portanto, as questões que parecem importantes para o estudo) e as proposições causais
que consideramos válidas. Ainda mais importante, afeta o tipo de conselho que cientistas
políticos podem oferecer sobre os principais temas de política pública e as questões
políticas do dia. No entanto, é notável a pouca atenção é dada para a geração de dados
e a metodologia de medição. Na verdade, é justo dizer que a visão dominante na ciência
política é que a medição é uma tarefa necessária que deve ser rapidamente transcendida
ou, se possível completamente ignorada, de modo que as energias dos pesquisadores
se concentrem em uma tarefa vista como muito mais importante: o teste de hipóteses
causais. A falha em reconhecer a importância da geração de dados e a metodologia da
medição, e a propensão a tomar atalhos, tem custos graves. Em poucas palavras, ela leva
a ganhos ilusórios em conhecimento, que mais cedo ou mais tarde são questionados.
Assim, é hora de que os cientistas políticos desconfiem da tendência de reivindicações prematuras de conhecimento, tão difundida na disciplina, e coloquem mais ênfase na
medição de conceitos-chave como uma base de conhecimento, isto é, como uma tarefa
que afeta o possibilidade de fornecer análise descritiva e/ou causal sólida e, em última
análise, de oferecer conselhos responsáveis.
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