Eleições no Império : considerações sobre representação política no segundo reinado

Este artigo propõe demonstrar como os debates sobre representação ocupavam papel de destaque e mexiam com os ânimos da sociedade imperial, fosse numa localidade circunscrita ou em âmbito nacional, e como a historiografia recente, ao fazer uso de novas fontes documentais, tem ajudado a produzir resul...

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Autor principal: Faria, Vanessa Silva de
Tipo de documento: Outro
Idioma: Português
Publicado em: 2017
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Resumo: Este artigo propõe demonstrar como os debates sobre representação ocupavam papel de destaque e mexiam com os ânimos da sociedade imperial, fosse numa localidade circunscrita ou em âmbito nacional, e como a historiografia recente, ao fazer uso de novas fontes documentais, tem ajudado a produzir resultados que ajudam a entender os caminhos da ação política no Império e fornecem uma série de pistas para se repensar à questão da representação política, do voto, das relações de poder e entender em que medida as mudanças feitas na legislação eleitoral do Império afetaram e moldaram as práticas eleitorais no país; o que isso significou, em termos práticos, quando do processo de recrutamento político; quem era e como eram os votantes e os eleitores, os representantes e os representados do Brasil do século XIX. Pretende-se, ainda, repensar a questão da representação, do sufrágio, da cidadania, da participação nos pleitos eleitorais etc., uma vez que essa é uma discussão cara e importante para entender as relações sociais e políticas no Brasil Império e podem ajudar a compreender a ação dos governos representativos nas suas respectivas esferas de atuação e as formas como eles se relacionavam entre si. Nesse sentido, neste artigo, comunga-se dos pressupostos levantados por Miriam Dolhnikoff a respeito do efetivo funcionamento do regime representativo no Brasil no século XIX, sobretudo no que diz respeito à necessidade de se repensar o papel da Câmara de Deputados na direção política do país de modo a não incorrer naquilo que Dolhnikoff (2012) classifica como um dos maiores equívocos cometido pela historiografia, que é "analisar a questão da representação no século XIX de forma anacrônica, ao se tomar como modelo os governos representativos tal como se organizaram no século XX, ou seja, conforme o modelo das democracias modernas".