| Resumo: |
Nos debates recentes sobre a organização partidária no Brasil Império, tem prevalecido a ideia de
que o conteúdo das diferenças ideológicas entre os dois principais partidos políticos, bem como
a relevância dessas distinções para a aprovação das reformas institucionais pelas quais o Estado
brasileiro passou na primeira metade do século XIX, estão ligadas diretamente ao processo mesmo
de estabelecimento e consolidação dessa estrutura partidária. Essa discussão, no entanto, quando
voltada para a disputa partidária provincial, caracteriza-a como localista, personalista, paroquial e
contingencial, aparentemente em oposição às interpretações que compreendem as elites provinciais,
e seus interesses, como parte fundamental da formação do estado nacional brasileiro. Nesse
sentido, este trabalho busca, a partir deste debate, analisar a organização partidária maranhense
na década de 40 do século XIX, notadamente a Liga Maranhense. Este partido surgiu da dissidência
tanto dos liberais quanto dos conservadores, e foi pensado como elemento de sustentação da
presidência de Joaquim Franco de Sá, a partir de 1846. Foi pensado, ainda, a partir de uma perspectiva
de filiação aos principais partidos do governo central no período, ainda que não corresponda
diretamente a nenhum deles. Nesse sentido, acredito que o seu estudo lança luz tanto sobre a
especificidade da organização partidária maranhense em meados do novecentos, como permite
situar a província do Maranhão no âmbito mais amplo da política nacional.
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