| Resumo: |
Esboça, de maneira introdutória, a ideia de necessidade de uma mudança de mentalidade
dos partidos políticos do Brasil, sob pena de que, paulatinamente, tal espécie de instituição seja cada vez menos determinante nos resultados das competições eleitorais. Para tanto, inicia-se com um relato do histórico descolamento entre as normas que regulam os partidos políticos, e suas existências
reais. Na sequência, é traçado breve panorama de diálogo dos partidos com a sociedade, após o advento da Constituição da República de 1988, no qual predominou o uso do meio de comunicação de massa preponderante à época, a televisão, para veicular imagens de líderes pessoais em detrimento de programas partidários e alinhamentos ideológicos, o que colaborou para não criar partidos fortes, mas sim lideranças personalizadas. Muito embora se saiba que, historicamente, a política brasileira seja pautada por personalismos e clientelismos, são apontadas mudanças que, nos últimos anos, têm afastado ainda mais a necessidade do eleitorado analisar as
agremiações políticas para a escolha do candidato preferido. Finalmente, sugere-se a liquidez das relações e a democracia digital, veiculada principalmente via redes sociais, como ingredientes
para a criação de um ambiente fértil para o declínio
dos partidos políticos como atores de relevo nas eleições, malgrado a dicção constitucional assim permaneça indicando, em um descolamento ainda maior da realidade social.
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