| Resumo: |
Trata sobre a construção discursiva e ideológica da campanha da chapa
"Aliança Democrática PMDB-Frente Liberal", a qual elegeu Tancredo Neves à presidência
da república via colégio eleitoral, com José Sarney como vice, no ano de 1985. Faz uma
análise histórica da formação dos partidos que disputaram qual alternativa seria a vencedora
da disputa política na primeira metade dos anos 1980, com a conquista da direção do
processo de constitucionalização nacional pós-ditadura militar. Numa comparação de
tendências de votos dos dois eventos conexos no Congresso (PEC 5/1983, de eleições
presidenciais diretas, e o colégio eleitoral de janeiro de 1985), bem como análise de discursos
políticos e materiais da campanha presidencial da Aliança Democrática, verificou-se que a
campanha política junto à população, com vistas a eventos de deliberação restrita ao colégio
eleitoral, as ações da Aliança Democrática tinham como objetivo construir legitimidade em
torno de uma agenda conciliada por cima, elaborada e proposta inclusive por membros da
base de apoio da ditadura. Conclui-se que a campanha teve como finalidade desviar o debate
das pautas propostas pelos movimentos sociais, sindicais e populares que pressionaram
a redemocratização por baixo durante as mobilizações por eleições presidenciais diretas,
os quais propunham reforma agrária, ampliação de direitos trabalhistas e humanos, revisão
de dívida externa, restabelecimento de relações com países socialistas etc., com a construção
de uma agenda baseada em temas típicos da propaganda da própria ditadura que legitimava
mudanças feitas pelo alto: a união nacional, o patriotismo e o civismo.
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