| Resumo: |
Investiga se e como as recentes transformações do ambiente informacional, da fragilização dos meios tradicionais ao advento das mídias sociais, podem ter favorecido o ressurgimento da retórica populista. Para tanto, adota como ponto de partida o referencial teórico da identidade social e a análise da literatura recente que aborda tal correlação com a comunicação política em cenário polarizado, seja viabilizando divisionismos entre grupos, naturalizando temáticas ou facilitando canais para a produção e aglutinação de discursos até então marginalizados. Na sequência, são destacados elementos chave para compreender sua disseminação, em um cenário de desintermediação, exposição seletiva e câmaras de eco. Além disso, propõe-se a identificar sob quais molduras (frames) conceituais costuma se estruturar tal retórica, do ponto vista material e formal. Diante do caráter multifacetado de variáveis para os movimentos populistas contemporâneos, em especial os conservadores, ainda que não sejam propriamente causados pelas inovações no campo da mídia, o trabalho alinha-se à percepção de que, sem a sua presença, tais forças não demonstrariam tamanha potência - a ponto de serem classificadas como "populismo digital".
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