| Resumo: |
Apesar dos incentivos personalistas proporcionados pelo sistema eleitoral de lista aberta
no Brasil, a literatura vem apontando para a existência de um papel estratégico e
coordenador dos partidos nessas eleições. Este trabalho busca explorar a relação entre a
distribuição espacial de votos, em eleições para o cargo de vereador em grandes
municípios brasileiros (no caso, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, em
2008/2012/2016), e estratégias partidárias na arena eleitoral. Para tanto, são analisados
três aspectos: o número de candidatos lançados por cada partido; os padrões individuais
de distribuição espacial de votos dos candidatos competitivos; e a sobreposição de
candidatos das listas partidárias em um mesmo território da cidade. Esta exploração inicial
revelou indícios frágeis de comportamento estratégico dos partidos nessa disputa: o
número de candidatos das listas varia de forma considerável entre eleições, e na maioria
das vezes em que é possível atribuir um território a determinado candidato, ele é o único
da lista partidária com tal atributo. Porém, de maneira geral, as listas de candidatos são
extensas e os candidatos competitivos têm padrão de votação disperso-compartilhado, o
que sugere que sua votação não é circunscrita a poucas regiões da cidade e que ele disputa
diretamente esses votos com outros candidatos (intra ou extra lista).
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