Resumo: |
Faz uma análise dos debates presidenciais na televisão como eventos
persuasivos de campanha. O objetivo foi contribuir para a compreensão não só do papel dessa
fonte de informação política no contexto brasileiro, mas discutir também de maneira
sistemática os seus possíveis efeitos. Os debates na TV são uma variável comunicacional de
curto prazo dos processos eleitorais. Eles oferecem estímulos comunicacionais que são
disseminados no ambiente da campanha, seja por quem o assiste diretamente, seja por quem
fica sabendo desses eventos e dos desempenhos dos candidatos através de outros dispositivos,
como a imprensa e o Horário da Propaganda Gratuita Eleitoral (HPGE). Como apenas
informação não basta para explicar mudanças de opinião, focamos o estudo em dois eixos
principais. O primeiro deles na identificação e no mapeamento das estratégias persuasivas
adotadas pelos candidatos, porque eles são instados a confrontar seus adversários, num evento
ao vivo, e por meio do qual os eleitores podem avaliar não só o seu posicionamento político,
como a maneira que se apresentam. Está presente, neste caso, um impacto sobre a atitude dos
eleitores com relação aos competidores. Os principais resultados indicam haver um padrão no
objetivo das mensagens, prevalecendo, no agregado, o ataque entre os candidatos da oposição,
e a aclamação entre os candidatos da situação. O posicionamento do candidato, bem como o
conteúdo político das mensagens apresentaram resultados significativos para um possível
efeito sobre a atitude dos eleitores. No estudo, propomos ainda a análise dos enquadramentos
adotados pelos competidores, cuja função é estabelecer um quadro de referência para a
audiência. Esta variável, que procura levar em conta aspectos da comunicação verbal e nãoverbal,
também apresentou resultados significativos. No segundo eixo analítico, tratamos dos
efeitos agregados desses acontecimentos de campanha. Foram analisados os debates de 2002,
quando prevalecia um clima de opinião favorável à oposição, e 2010, quando o clima é
favorável à situação. Com relação ao impacto dos debates no ambiente informacional, os
dados sugerem que, em 2002, a atuação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato da
oposição, levou a uma ampliação da cobertura jornalística positiva sobre o candidato;
enquanto houve um declínio dessa cobertura para José Serra (PSDB), candidato da situação.
Em 2010, na cobertura da imprensa após os debates, tanto a candidata da situação, Dilma
Rousseff (PT), quanto o da oposição, José Serra, apresentaram equilíbrio. O impacto no
ambiente informacional da campanha foi acompanhado de um aumento da intenção de voto
agregada para os candidatos que lideravam as pesquisas e que representavam a mudança em
2002, no caso Lula, ou a continuidade em 2010, no caso Dilma. Nas duas eleições, portanto,
os debates na TV no Brasil indicaram ser eventos persuasivos importantes, apesar de terem
um papel menos central como dispositivo de informação eleitoral e de não levarem
à troca de posição entre os competidores nas pesquisas opinião. Mas eles contribuem, ao
menos indiretamente, para consolidar e ampliar intenções de voto dos primeiros colocados a
partir de uma percepção positiva disseminada sobre os seus desempenhos.
|