| Resumo: |
Qual o efeito da volatilidade sobre a competição eleitoral? Parte da literatura acredita que sistemas partidários institucionalizados
apresentam baixa volatilidade e competição estável (Mainwaring & Scully, 1995; Mainwaring & Torcal,
2005; Mainwaring & Zocco, 2007). Aqui o objetivo é examinar essa relação em sistemas partidários com baixo nível
de institucionalização. Nossa hipótese é que a volatilidade exerce um efeito positivo e significativo sobre a competição.
Para testá-la, trabalhamos dados das eleições para deputado federal do período entre 2002-2014 no Brasil disponibilizados
pelo Tribunal Superior Eleitoral e o pacote electionsBR. Utilizamos Modelo de Regressão Mínimos Quadrados
Ordinários (MQO) com dados agrupados, painel e em dois estágios. Os resultados indicam que: 1) a competição é
um fenômeno multidimensional; 2) a estimação do efeito da volatilidade sobre a competição depende de outras variáveis
do sistema eleitoral; 3) a volatilidade tem efeito sobre a competição quando estimada pela desproporcionalidade.
Normalmente o uso do termo competição eleitoral é utilizado de forma pouco precisa. Nossos achados indicam que
competição eleitoral é um conceito multidimensional e que, portanto, indicadores como ranking do resultado, o NEP
e o desequilíbrio das disputas representam aspectos diferentes do conceito. Por sua vez, nossos achados indicam que a
volatilidade eleitoral afeta significativamente nossos indicadores de competição eleitoral quando se controla o efeito de
variáveis omitidas. Em termos substantivos, a volatilidade baixa não é garantia de competição estável podendo o contrário
também ser verdadeiro.
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