| Resumo: |
Analisa a pluricausalidade que ocasiona a sub-representação
de mulheres na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) durante a 19ª
Legislatura (2019 a 2023), onde apenas 2 deputadas, de 41 assentos,
exerceram mandato. Foi utilizada a historicização como ferramenta para
descrever e analisar a linguagem de exclusão dirigida às mulheres na política
e a divisão sexual do trabalho na atividade política. O trabalho adotou a
metodologia da teoria fundamentada em dados, emergindo as categorias
aqui analisadas, no qual foram realizadas entrevistas semiestruturadas com
as exercentes de mandato naquela Legislatura, bem como com a primeira e
a segunda suplentes do cargo de deputada estadual. Foi adotado também o
método interpretativo de análise dos dados levantados. As categorias teóricas
surgiram a partir da saturação dos códigos encontrados na codificação
por agrupamento e por incidente das entrevistas com as parlamentares,
somadas à análise do Sistema de Candidaturas Módulo Externo do Tribunal
Superior Eleitoral (CANDex), dos registros de candidaturas e informações
das candidatas (nas eleições gerais de 2018). O patriarcado, aqui também
chamado de hegemonia masculina na política, consiste em categoria
central deste trabalho, tendo sido encontrada por meio da codificação por
agrupamento dos dados levantados. Apesar de termos conhecimento da
existência de diferenças teóricas entre as denominações da categoria central
de análise (patriarcado e hegemonia masculina na política), aqui enfocamos
na instrumentalização do fenômeno político de alijamento de mulheres. A
categoria central se mostrou, ainda, indissociável de outras subcategorias
analíticas encontradas que se interconectam entre si, a exemplo da divisão
sexual da atividade política (público/privado) também existente no cenário
político goiano, da linguagem de exclusão que faz parte da violência
política de gênero e, ainda, da existência de violência partidária de gênero.
Foi utilizada a chave analítica da perspectiva feminista e da perspectiva
interdisciplinar dos direitos políticos das mulheres, como efetivação dos
direitos humanos. A conclusão do presente artigo constatou a dificuldade
de ocupação e enraizamento das mulheres na política partidária goiana,
bem como apontou a adoção de estratégias de mútuo apoio e de afeto em
ambientes que incluem e transbordam o cenário político, pelas entrevistadas.
Por fim, o estudo verificou a necessidade de ser implementada a perspectiva crítica de gênero também pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para
melhoramentos no CANDex.
|