As origens da radicalização partidária no Brasil (1954-64)

Aborda a radicalização partidária observada no governo João Goulart. Assumindo uma visão conciliatório das pesquisas de Argelina Figueiredo (1993) e Wanderley Guilgerme dos Santos (2003), reconhece-se na radicalização partidária o principal fator para a desestabilização do regime, que levaria ao gol...

ver mais

Autor principal: Said, Saulo
Outros Autores: Tribunal Superior Eleitoral
Tipo de documento: Outro
Idioma: Português
Publicado em: 2019
Assuntos:
Obter o texto integral:
Resumo: Aborda a radicalização partidária observada no governo João Goulart. Assumindo uma visão conciliatório das pesquisas de Argelina Figueiredo (1993) e Wanderley Guilgerme dos Santos (2003), reconhece-se na radicalização partidária o principal fator para a desestabilização do regime, que levaria ao golpe de 1964. Isso posto, a pergunta central da pesquisa é: que transformações na política brasileira criaram o contexto no qual as elites partidárias optam pela radicalização? A pesquisa sugere que a política brasileira passou por um processo de ideologização desde a campanha eleitoral de JK, que redundaria na criação de facções ideológicas e frentes parlamentares. Estas, por sua vez, pautariam o debate público e colocariam em pauta questões altamente conflitivas (como a reforma agrária) e ao fim dos anos 1960 os partidos precisavam se posicionar claramente sobre tais questões. Desse conflito interno é que nasce a opção de radicalização. O argumento é construído em duas etapas, sendo a primeira histórica e a segunda uma análise desagregada das principais votações ocorridas durante o governo João Goulart.